No início do século XX Porto Alegre era uma cidade provinciana (como se ainda não fosse). Setenta mil almas habitavam uma capital prestes a conhecer uma das grandes novidades tecnológicas do novo século.

O empresário Januário Grecco, industrial e proprietário do cine Apolo adquiriu, em 1906, um automóvel da marca De Dion Bouton, de construção francesa. A iluminação era a querosene e o combustível era álcool. O motor era de 8-10 Hp. O custo foi cinco contos de réis e o prefeito Jose Montaury isentou a compra de impostos por ser o primeiro da cidade. A compra foi noticiada em abril daquele ano no jornal Correio do Povo.
Adquirido por contatos comerciais através da Argentina, assim que o veículo foi encaminhado para ser liberado na alfândega, constatou-se que não havia ninguém com conhecimentos técnicos para ligá-lo ou conduzi-lo. A ajuda veio do italiano Marini Constanti, detento na Casa de Correção que ficava nas imediações da atual usina do gasômetro. Uma vez que não teve permissão para sair, o carro teve de ser empurrado até lá onde deram-se as orientações. Constanti havia trabalhado com mecânica e operação de veículos na Itália. Posteriormente o detento ganharia autorização para sair e trabalhar como motorista da família Grecco.
Em Porto Alegre, o código de veículos de 1893 não previa o transporte motorizado. Somente em 1913 a lei foi regulamentada para contemplar os 188 automóveis registrados então. A partir daquele ano tornou-se obrigatório o uso de lanternas à noite e de buzinas a cada esquina. A velocidade máxima permitida era de 6 km/h no centro, 10 km/h nos bairros e 15 km/h fora da cidade.
Em 25/05/1906 o presidente da província, Borges de Medeiros usou o carro para fazer o passeio inaugural da rua “Caminho Novo”, atual Volutários da Pátria. Nos dias seguintes o político faria ainda campanha política com o automóvel em Viamão e Gravataí.